Foi uma noite de roteiro improvável e protagonismo absoluto de Martin Braithwaite na Arena Pantanal. O atacante dinamarquês experimentou todas as sensações possíveis dentro das quatro linhas, sendo decisivo para o triunfo do Grêmio por 3 a 1 sobre o Cuiabá, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro. O resultado, que garante três pontos fundamentais para o Tricolor Gaúcho, foi construído em um segundo tempo eletrizante, onde a técnica se sobressaiu à força física, mas a euforia do triunfo em campo contrasta com notícias preocupantes vindas dos bastidores sobre a montagem do elenco.
A montanha-russa do camisa 9
O segundo tempo começou de maneira desastrosa para o Grêmio. Logo aos sete minutos, em uma tentativa de afastar o perigo após cobrança de escanteio cedida por Gustavo Martins, Braithwaite teve a infelicidade de marcar um gol contra, igualando o marcador para o Cuiabá em 1 a 1. O momento, que poderia ter abalado psicologicamente a equipe, serviu de combustível. O Cuiabá tentou aproveitar o ímpeto com finalizações de Max e pressão de André Luís, mas a resposta gremista foi letal.
A redenção não tardou. Aos 19 minutos, a conexão ofensiva funcionou: Miguel Monsalve encontrou Braithwaite no meio da área e, com frieza, o atacante finalizou de pé direito no canto inferior esquerdo, recolocando o Grêmio em vantagem. O Cuiabá, valente, buscou o empate incessantemente, com Isidro Pitta desperdiçando chances claras de cabeça e Clayson obrigando a defesa tricolor a trabalhar, mas foi novamente o dinamarquês quem deu números finais ao jogo. Já na reta final, aos 41 minutos, Braithwaite recebeu na esquerda da pequena área e acertou um chute preciso no ângulo superior direito, selando sua atuação de gala e o placar de 3 a 1.
Batalha tática e substituições
A partida foi marcada também pela intensidade física e pelas intervenções dos treinadores. O Cuiabá tentou oxigenar o time com as entradas de Derik Lacerda, Lucas Fernandes e Clayson, buscando explorar as laterais e o jogo aéreo. Do lado gremista, a gestão do resultado passou pelas entradas de Franco Cristaldo e Dodi, substituindo Edenílson e o garçom da noite, Miguel Monsalve. A defesa gremista teve trabalho, com cartões amarelos distribuídos para Caíque e Edenílson em lances pontuais para conter o ímpeto adversário. Já nos acréscimos, Matheus Alexandre, do Dourado, também foi advertido por jogo perigoso, evidenciando o clima tenso até o apito final.
Frustração no mercado de transferências
Enquanto a bola rolava e o time garantia o resultado, a diretoria do Grêmio sofreu um revés significativo em seus planos de reforçar o meio-campo. O clube gaúcho, que tratava a contratação do volante argentino Guido Rodríguez como uma grande aposta, viu a negociação complicar drasticamente. O Grêmio havia colocado na mesa uma proposta de compra definitiva com um contrato de três anos para o jogador do West Ham, demonstrando disposição em realizar um investimento financeiro considerável, mesmo com o vínculo do atleta na Inglaterra próximo do fim.
Informações apuradas pelo portal Gremistas.net indicam que o Valencia, da Espanha, atravessou o negócio e está em conversas avançadas para assinar com Rodríguez por empréstimo até junho. O clube espanhol cobriria os salários atuais do atleta de 31 anos até o término de seu contrato com o West Ham. A concorrência europeia, que já era uma preocupação interna no Tricolor, parece ter pesado na decisão, forçando o departamento de futebol a reiniciar suas buscas.
Novos alvos para Luís Castro
Com a provável ida de Guido Rodríguez para a La Liga, o Grêmio se vê obrigado a voltar ao mercado em busca de alternativas. A contratação de um primeiro volante permanece como prioridade máxima para o técnico Luís Castro, que identifica a posição como carente no atual elenco. Além da proteção à defesa, o planejamento do clube também aponta para a necessidade de um meia de criação, um “camisa 10” clássico, embora, no momento, não existam negociações ativas para essa função específica. A vitória em Cuiabá traz alívio na tabela, mas a diretoria sabe que precisará de agilidade para entregar as peças que o treinador deseja para a sequência da temporada.



